No vasto panorama da nossa mente, movemo-nos entre dualidades que delineiam nossa existência, onde a noite abraça o dia com uma dança traiçoeira, a luz desafia poeticamente a escuridão, e a eterna batalha entre o bem e o mal pinta a complexidade do cosmos. Nesse intricado tabuleiro cósmico, somos envolvidos por uma sinfonia de Merecimento e Culpa, onde nossas escolhas corretas nos presenteiam com o alvo som do alívio, enquanto nossos erros nos mergulham em um oceano morto e salino de desmerecimento.
A dualidade, essa tessitura complexa de uma existência limitada, desafia nossa compreensão, moldando medos e limitações através de experiências de vida, crenças e filtros que, inadvertidamente, erguemos entre o consciente e o inconsciente.
A falta de uma compreensão espiritual profunda intensifica essa inversão de valores, transformando ansiedades e frustrações em sombras que se manifestam como doenças físicas e psicológicas. A mente ansiosa projeta cenários futuros incertos, e essas sombras ganham vida, tornando-se nossa realidade tanto física quanto mental.
Em uma metáfora delicada, a dor de barriga que cresce ao nos aproximarmos do vaso sanitário destaca a complexa relação entre pensamento e percepção física, questionando a influência do mental e espiritual sobre o físico.
Contudo, lembremos que cada experiência, seja ela boa ou má, provém de Deus, conforme Isaías 45:5-7 nos recorda.
(...)
⁵ Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há Deus; eu te cingirei, ainda que tu não me conheças;
⁶ Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de mim não há outro; eu sou o Senhor, e não há outro.
⁷ Eu formo a luz e crio as trevas; eu faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas.
(...)
A gratidão por algo ruim torna-se um desafio, pois a inversão de valores embaralha a compreensão de merecimento e necessidade.
Enfrentar o mal muitas vezes é interpretado como uma punição, esquecendo que talvez precisemos desse desafio para crescer, assim como o bodybuilder necessita de pesos para fortalecer seus músculos ou o corredor requer treinos extensivos para encarar uma maratona.
A dualidade nos instiga a rotular o mal como punição, mas Deus não é injusto. O amor divino está além de toda a compreensão humana, e Ele, jamais, nos faria passar por sofrimentos apenas para Se divertir com nossa desgraça. Deus compreende o que precisamos para nos elevarmos, e a elevação do espírito começa no corpo, a ferramenta dada para nosso aprimoramento, e conserto individual. Essa noção equivocada de dualidade prejudica nossa relação direta que com o Criador, impedindo-nos de encontrar prazer em todas as coisas que Ele nos proporciona, incluindo, principalmente, o Bem Oculto.
O Bem Oculto nada mais é do quê a compreensão de que o mal também é destinado ao nosso bem. Somos desafiados por Deus, que nos envia estímulos de um plano tão elevado que a Luz divina ofusca as teias emaranhadas do nosso entendimento e nos confunde a ponto de exclamarmos coisas como: Eu não MEREÇO isso!!! O quê eu fiz para MERECER isso?!?!
É como encarar diretamente, e sem proteção, uma luz intensa capaz de cegar qualquer um permanentemente.
Chamamos esse "Mal", essa entidade desafiadora, de Bem Oculto, pois sua essência é amarga como um remédio eficaz, destinada a fortalecer e elevar, embora seus benefícios inicialmente permaneçam invisíveis. O Bem Revelado, por outro lado, é a satisfação direta de desejos, lembrando-nos que Deus nos destinou à felicidade e ao prazer. Num exemplo simples, podemos definir esse tipo de intenção Divina como um desejo de termos algo novo, como um celular, uma roupa ou até, em um dia especial, ou não, comermos algo diferente. Nós compramos o fruto de nosso desejo, ou comemos tal guloseima e nos sentimos instantaneamente satisfeitos e com prazer. Esse é o Bem Revelado. O Bem Doce.
Sendo assim, nossa jornada cósmica através dessas dimensões de conhecimento nos convida a reconhecer que tudo provém de Deus, inclusive o Bem Amargo esculpido para nossa Elevação, e o Bem Doce feito com Amor e Carinho para o nosso Prazer e Satisfação.
Que possamos encontrar, por fim, a Verdadeira Gratidão que nos conecta ao Deus Único não apenas nos momentos doces e revelados, mas também nos momentos amargos e ocultos, compreendendo que cada desafio é uma oportunidade de crescimento, elevação e conserto, para seguirmos, enfim, o nosso Verdadeiro Destino aqui nesse Mundo. Ser Feliz.
Porque é consertando a nós mesmos que consertamos o Mundo inteiro.
SHALOM!!!
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